Dia 25: Pequenos demônios de Dionísio

Lá em Roseira, um praça tão simpática, como o próprio nome da cidade. Não havia igreja na praça, apenas uma ali no próprio quarteirão, pequena, sem graça. Talvez porque Aparecida esteja tão perto que não compense gastar tijolo em uma igreja grande para a simpática praça de Roseira. Os fiéis tem do lado um templo enorme, não há porque. Suponho, apenas. Mas dito isso, que notei com espanto, porque nunca vi cidade pequena com praça sem igreja, obsessão de assunto que não me deixa continuar, dito isso, passo adiante, para a apresentação. Armamos a barraca debaixo de uma grande sombra, gostosa, de uma árvore bonita, que serviu de casa para a Morte ficar. É tão bonito quando isso dá certo. Quando: 1º, temos uma árvore de bom tamanho próxima ao local de apresentação; 2º, a árvore é passível de ser escalada pelos atores; 3º, a árvore está posicionada em relação ao sol de forma que a sombra fique de um lado e ela de outro, ou seja, quando ela fica ao fundo da representação e não no meio da possível plateia; 4º, percebemos tudo isso e enfeitamos a árvore a tempo da representação. Aí você me entende porque é tão bonito quando isso dá certo, não é? Basta ver o número de variáveis nessa operação.

Pra apresentação vieram a pé alunos da escola próxima. A pé, primeiro da fila de mãozinha dada com o professor. E diz que isso também não é lindo? Imaginem vocês o número de variáveis nesta operação! Sentaram comportados e riram comportados dos primeiros passos do Damião. Só com o tempo é que começaram a se soltar, e então se divertiram de verdade, como os pequenos demônios de Dionísio que são. Também nesse dia tivemos a presença do bêbado local, que atendeu a um telefone que lhe estendeu o Diabo. Mas estava ocupado, ele respondeu.

Fim da apresentação, voltam pras escolas os recém transformados anarquistas, de novo feitos anjinhos, primeiro da fila de mãozinha dada com o professor. E a gente deixa a pequena e simpática cidade, com a árvore que acertou a todas as demandas, e corre pra Cruzeiro, onde o dia haveria de continuar em uma oficina. De calma, só a sensação do ar em Roseira, a gente pra variar estava trabalhando a mil. E lá fomos nós, correr para continuar o dia.

Lara Prado

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Fotos: MaFê Moreira

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