Dia 24: Cachoeira Paulista

Apresentação legal. Ameaçou chuva, fomos para debaixo de um palco coberto, no meio da praça. Pouco público, mas bem participativo. Alguns moradores de rua. Um sentado bem ao lado da roda, que tocava uma gaita sempre que tocávamos alguma música. Outro em pé, de fora do palco, comentando sempre. O da gaita, que era um tipo quieto e estava prestando bastante atenção, ficou irritado com os comentários do outro e acabou indo embora no meio. O outro ficou até o final. O nome dele é Pedro. Fomos conversando enquanto desmontávamos o cenário. Fiquei surpreso com o conhecimento que ele tinha sobre filmes. Comentou que o Ikier parecia o Logan (Wolverine). Comentou que os X-Men antigos eram melhores, os de agora ele não gostava. Perguntei como é que ele assistia esses filmes, uma vez que mora na rua. Ele respondeu de maneira inconclusiva. Não entendi direito como. Mas deixou claro que não era só por morar na rua que ele ia ficar sem ver filmes. Ofereci um açaí, ele negou. Pelo que tenho visto, problema bem recorrente entre os moradores de rua: não podem com açúcar. Talvez diabetes, pelo consumo de álcool. Falou que não fumava nem cheirava, curtia mesmo era beber. Me disse que estava naquela praça tinha seis meses. Parou de rodar pelo problema de saúde, que afetava as pernas, já inchadas. Foi esse mesmo problema que me fez apertar sua mão de maneira muito delicada – estava também inchada e necessitada de cuidados. Enfim, com um aperto delicado, nos despedimos. E ele disse “É. Vocês vão embora e eu fico aqui… é sempre assim.”

Crô

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Fotos: MaFê Moreira

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