Burundanga – A Revolução do Baixo Ventre

BURUNDANGA – A REVOLUÇÃO DO BAIXO VENTRE

Burundanga é a história de uma revolução no país da mexerica. Uma situação que, de tão absurda, parece longe de qualquer realidade, e, no entanto, está tão próxima da nossa que o riso que gera é fruto também da ironia de se sentir parte de tudo aquilo.
O texto, escrito por Luís Alberto de Abreu em 1996, narra a história de dois homens que se transvestem de militares e abarcam numa pequena cidade, a qual está isolada do resto do mundo por uma tempestade.
Como em outras obras da literatura, do cinema e do teatro, o isolamento intensifica o conflito e acelera o descortinar dos vícios de uma sociedade. A pequena cidade, com seus tipos que estão em todo lugar, vê aflorar no horizonte uma revolução que não se sabe pra onde vai, nem como, nem porquê, e que ainda assim caminha causando confusão. Muitas rês viram churrasco, muita gente troca de lado, muito umbigo é feito de rei, a fome opera… e o rico se mantém.
Até parece que já vimos essa história em algum lugar! Mas, aqui alertamos, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência bem engendrada.
Burundanga é parte do projeto Comédia Popular Brasileira, no qual Abreu e a Fraternal Cia de Arte e Malas-Artes desenvolveram espetáculos inspirados na commedia dell’arte e na tradição cômica de raízes populares. Nestas peças, personagens tipos e mecanismos cômicos consagrados se acrescem para criar uma dramaturgia absurdamente real e ainda muito atual.
E para completar esse suculento banquete, bem ao gosto do faminto João Teité, o diretor Fernando Neves – com assistência de Kátia Daher – assoma ao grupo com sua importante pesquisa acerca do circo teatro brasileiro. Se Abreu se inspirou no circo, o circo aqui inspira Abreu. Neves e Abreu, para fazer vibrar o popular!