Dia 6: Jongo Mistura da Raça

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Quando toca o meu tambú…

No segundo encontro da Damião & Cia de Teatro com grupos de cultura popular do Vale do Paraíba conhecemos o jongo Mistura da raça e o mestre Laudení de São José dos Campos. De origem e referência em Barra do Piraí – RJ o grupo fundado em 2006 hoje se instala no ponto de cultura Oca, Vila Tatetube em SJC e desenvolve diversas ações em torno do Jongo, como encontros, projetos e ações educacionais que fomentam o Jongo e as comunidades de tradição Jongueira. Fomos recebidos pelo mestre Laudení que recolhia as flores de uma árvore na frente do Oca. “Cai muita folha e flor dessa árvore. Dá um trabalho… mas é assim né a gente precisa dela.” Fomos recebidos e apresentados ao núcleo familiar do mestre que leva o Jongo junto com a matriarca do grupo Dona Adélia Cunha do bairro do Areal em barra do Piraí de onde trouxe sua sabedoria Jongueira. De forma simpática e amiga mestre Laudení foi contando sua historia e a formação do grupo entrelaçando os fundamentos do seu Jongo, os toques, cantos e dança. O mestre e sua esposa Márcia Cunha nos deram uma aula dos fundamentos do Jongo que preservam mostrando como dançam e cantam os pontos. Momento máximo que nos mostraram foi o improviso dos pontos onde os dois fazem um desafio que tem ser respondido pelo outro. Esse desafio era feito em quase todos os Jongos de antigamente, hoje poucos grupos fazem essa brincadeira de improviso onde os cantadores tem que desamarrar o desafio com outro ponto, nos contou Márcia. Na toque do tambú angoma e candongeiro dançamos com a família e assim fomos tratados.

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Fotos: MaFê Moreira

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“O Jongo é uma dança de todos, tem que incentivar principalmente as crianças. Antes as crianças não podiam participar do Jongo. Muito Jongo desapareceu por isso. Hoje faço questão que meus filhos dancem, toquem e cantem no Jongo”. Com essas palavras e a presença de várias gerações da família compartilhamos uma noite, com lanche e a cultura do Mestre que nos convidou pra outras rodas, voltarmos depois, participar do encontro de Jongos do sudeste que sediará ainda esse ano, conhecer o quilombo de Valença no Rio de Janeiro… e tantas falas que ecoavam ancestralidade e o toque do tambú. Machado!

Ricardo Ikier

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1Fotos: André Sun

Dia 2: Batuqueiro, olha a onda!

     DSC07047 (1280x720)Dentro do projeto “Presepadas entre serras e vales” nós da Damião & Cia de Teatro prevemos uma série de encontros com grupos do vale do Paraíba que trabalham com a cultura popular brasileira. Entramos em contato com grupos de jongo, congadas, folia de reis e maracatus aqui do vale. Sexta-feira dia 19\02 dia de Oxalá fomos até o Parque da Cidade em São José dos Campos, para fazer uma visita (e tocar que ninguém é de ferro né?) com o pessoal do Maracatu no Parque, o Baque Aguaí. Eles oferecem oficinas gratuitas toda sexta feira as 19 horas nesse local. O grupo que estuda o baque virado de Pernambuco toca diversas nações como o Estrela Brilhante de Igarassú, Leão Coroado, Estrela Brilhante e Porto Rico (Salve a nação Porto Rico!). Fomos recebidos de braços abertos e logo que tiramos nossas alfaias, agbês e gonguê, Alex Malabar que estava no apito conduziu o grupo para tocar as loas da nação Porto Rico, nação que tocamos em nosso grupo de teatro e da qual aprendi tudo que sei de maracatu. O baque Aguaí se prepara para realizar oficinas com o batuquero da nação Rumenig Dantas. Fizemos um baque lindo abençoados pela chuva que caia e abrigados em um lugar maravilhoso, os galpões da Fundação Cultural Cassiano Ricardo que fica nesse parque. Após passarmos por diversas loas do baque das ondas, tocamos outras nações e homenageamos a vó Didi, ancestral de uma batuqueira do grupo que faleceu há alguns dias. Momentos de alegria e saudade que o maracatu propicia. Tocar tambor pelo mundo afora é um dos movimentos que conectam nosso grupo, pois sabemos que juntos o tambor tem a batida de nossos corações!

Asè Baque Aguaí!

Ricardo Ikier

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Fotos: André Sun