Dia 27 – A última presepada pelo Vale.

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Cruzeiro e seu lindo museu.  Com seu comércio agitado e seu centrinho povoadamente animado. Sua praça… cheia de canteiros, palco, estatuas, fonte!!!

– Ih, lascou! Onde é que vamos montar a roda, José?
– Ali em baixo da tenda que fizemos para vocês.
E tentamos englobar os canteiros, decorar os jardins, se aproveitar da estrutura da tenda, para assim, cabermos naquele cantinho bonito de Cruzeiro!
Brincadeira armada! Vamos começar…
-Ué, cadê o povo, minha gente?
-Estão vindo da escola aqui do lado.
E então, demos nos por satisfeitos e decidimos esperar.
Primeira leva de crianças: Pequena, fofinhas, caminhavam atentas para o novo cenário que se instaurava.
Segunda leva de crianças: ainda pequena, fofinhas e um pouco mais despeças, que riam de nossas caretas.
Terceira leva de crianças: e a Damião e Cia já comemorava de alegria!
-Temos público! – diziam.
Quarta leva de crianças: e deu-se inicio a correria de crianças fofas disputando seu lugar.
Quinta leva: e o câmera estava enlouquecido com tantas criaturinhas se pendurando em seus equipamentos.
Sexta leva: e a Damião e Cia tremia.
Sétima: a criançada corria, interagia e aprontava uns com os outros, outros com uns e uns com a gente!
Oitava: para nossa alegria a última! e pro nosso desespero também.
-O que fazer com tanta criança?
-O que normalmente se faz.
-E… o que normalmente se faz?
Fomos a “As presepadas de Damião –  de como fez (Criança, ai não!)fortuna, (pã pã nã nã nã… pã pã!)venceu o (que medo!) diabo e enganou a (Ali, ali, ali) morte com as graças de Jesus Cristo (Amém)”.
Correria, desespero e diversão (Sintetizando o que meu coração dizia)
Público pequenino, mas valeu por um grandão.
Energia que se perdia constantemente com tanta agitação.
E sorrisos e olhares lindos que se dispersavam em meio a multidão (de miniaturas).
Aos poucos, ao se desfazer da terra de Santa Cruz (e da magia teatral), Cruzeiro ficou com seu lindo museu. Seu comércio agitado foi descansar e sua praça… continuou com seus canteiros, palco, estatuas e fonte.

Bruna Recchia

Fotos: MaFê Moreira

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Dia 19: Um pequenino grande fã

Ao montar o cenário
Eis que surge distante
um menino meigo
de olhar penetrante.

Ao se aproximar
De mansinho e na espreita
cuidadosamente, dizia:
– eu já vi a Damião e Cia!

Tinha lá seus seis anos de altura,
Mas sua desenvoltura
era a forma de gente grande.
Era impressionante!

Ao ver o Damião
aquela recuada ele deu
com as mãos buscando as palavras
ele chegou em Deus.

e pensei:
Esse menino deve aterrorizar!
Que para engano meu
assistiu a peça toda sem piscar

Sentiu medo quando viu a morte entrar
com todos seus cabelos a se arrepiar
Se matou de rir quando viu o chifre cair
com todas as janelinhas a se inibir

Esse menino
franzino e brilhante
com seu peito bufante
sorria feliz.

Confesso, as vezes é bom demais ser atriz.

E o menino quietin
as palmas batia
olhando pra a mãe e pra tia
assim que chegamos no fim

e a conclusão foi simples:
havia de lembrar
desse menino meigo e cativante
no meu coração e adiante!

E além de tudo,
seus olhos brilhavam
como as estrelas do céu.
Obrigada, menino Cael!

por Bruna Recchia

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Fotos: MaFê Moreira

Dias 4 e 5: Entre ruas e sinos

Salve, Taubaté!

Nossa saga começou com a dúvida do tempo fechado. Entre olhares para o céu e pedidos para São Pedro, o tempo até que cedeu um tiquin e sorriu de canto. E junto dele, a porteira das badaladas!

A linda e grande igreja da praça Santa Teresinha nos batizou com o toque das 18 horas, na cena do “O Gran Pot-Pourri dos Desesperados”. As seis badaladas (que pareceram quarenta e duas, na minha percepção de tempo) tocaram junto à música, enquanto Damião segurava o público com sua arte de muita brincadeira… A apresentação terminou sem mais sirenes ou surpresas e com muita receptividade do público. E a nossa noite, com deliciosos açaís, lanches e churros da praçinha!

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Fotos: MaFê Moreira

No dia seguinte, apresentamos na escola EMEF  Professor Ernesto de Oliveira Filho, também em Taubaté. Apesar do tempo ainda estar chuvoso, a recepção e o calor de cada criança que se mantinha atenta a cada movimento nosso era de tamanha fofura, curiosidade e paciência.

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Foto: André Guisard

Dentre tantos olhares ansiosos, começamos a apresentação!

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Foto: André Guisard

Quando chegamos novamente na cena “O Gran Pot-Pourri dos Desesperados” nossa sina aconteceu! O sinal ensurdecedor (muito próximo de uma alarme de incêndio) das 17h30 tocou… Dessa vez, um grande susto! Aquele pátio cheio de crianças de olhares atentos, em meio a correrias e gritos de tchau, esvaziou… Junto com ele, nossos corações.

Momento de suspensão! Música caindo no estilo fade out… atores chocados e silenciados. Até que  surgem alguns pedidos tímidos das poucas crianças que ficaram para ver o final. Comovidos, continuamos e chegamos ao final da história da vida de Damião.

E como sempre, o teatro competindo com a vida… nesse caso, com o cansaço e o desejo de voltar para casa depois de um dia de aula.

Que os sinos não deixem de cantar para essas crianças e para essa cidade bonita.

Bruna Recchia.