Dias 25 e 26: Da necessidade de continuar

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Cruzeiro tem um Museu, que Deus Meu. Árvores centenárias, daquelas que precisam de 10 pessoas para abraçar. Que árvore. Imagina só a raiz? Imagina como encorpa a terra com seus braços subterrâneos. Como é soberba a sua cúpula, que arquitetura nenhuma já imitou. Como até o céu se tomba, e só aparece em frestas, pequenas. Que árvore. Que bonito, o museu. E como era de se esperar, tem infeliz história. Foi de Major, foram escravos quem plantaram as árvores, há até mesmos dois enterrados ali, na propriedade. Demos aula na antiga senzala. Dava pra perceber a recente construção das janelas. Era um lugar onde viviam pessoas, e não havia janela. Um lugar onde viviam pessoas cujas mãos trouxeram a vida uma potência infinita, e não havia sequer uma janela. E aí você contrapõe a árvore e o homem, e pensa, que erro, deus meu. Mas aí você também se prepara para uma oficina, e aparecem três jovens que vieram de uma cidade há 40km pra aprender algo com você. E há de se superar aquilo, pra no mínimo ver aquele espaço conhecer outra história, de vida e não de dor.

Lara Prado

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Fotos: André Sun

Dia 25: Pequenos demônios de Dionísio

Lá em Roseira, um praça tão simpática, como o próprio nome da cidade. Não havia igreja na praça, apenas uma ali no próprio quarteirão, pequena, sem graça. Talvez porque Aparecida esteja tão perto que não compense gastar tijolo em uma igreja grande para a simpática praça de Roseira. Os fiéis tem do lado um templo enorme, não há porque. Suponho, apenas. Mas dito isso, que notei com espanto, porque nunca vi cidade pequena com praça sem igreja, obsessão de assunto que não me deixa continuar, dito isso, passo adiante, para a apresentação. Armamos a barraca debaixo de uma grande sombra, gostosa, de uma árvore bonita, que serviu de casa para a Morte ficar. É tão bonito quando isso dá certo. Quando: 1º, temos uma árvore de bom tamanho próxima ao local de apresentação; 2º, a árvore é passível de ser escalada pelos atores; 3º, a árvore está posicionada em relação ao sol de forma que a sombra fique de um lado e ela de outro, ou seja, quando ela fica ao fundo da representação e não no meio da possível plateia; 4º, percebemos tudo isso e enfeitamos a árvore a tempo da representação. Aí você me entende porque é tão bonito quando isso dá certo, não é? Basta ver o número de variáveis nessa operação.

Pra apresentação vieram a pé alunos da escola próxima. A pé, primeiro da fila de mãozinha dada com o professor. E diz que isso também não é lindo? Imaginem vocês o número de variáveis nesta operação! Sentaram comportados e riram comportados dos primeiros passos do Damião. Só com o tempo é que começaram a se soltar, e então se divertiram de verdade, como os pequenos demônios de Dionísio que são. Também nesse dia tivemos a presença do bêbado local, que atendeu a um telefone que lhe estendeu o Diabo. Mas estava ocupado, ele respondeu.

Fim da apresentação, voltam pras escolas os recém transformados anarquistas, de novo feitos anjinhos, primeiro da fila de mãozinha dada com o professor. E a gente deixa a pequena e simpática cidade, com a árvore que acertou a todas as demandas, e corre pra Cruzeiro, onde o dia haveria de continuar em uma oficina. De calma, só a sensação do ar em Roseira, a gente pra variar estava trabalhando a mil. E lá fomos nós, correr para continuar o dia.

Lara Prado

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Fotos: MaFê Moreira

Dia 22: A primeira vez eles nunca esquecem

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Sexta-feira, 11 de março de 2016, era o dia designado para nossa apresentação do Damião na menor das onze cidades escaladas para nosso projeto. Com uma área territorial de 51km² – uma boa ideia de área –  e uma população com pouco menos de 5 mil habitantes, segundo a tia Wikipedia, ficamos levemente assustados ao chegarmos na Praça João Paulo II – saímos da Dutra e entramos em Canas (tururuts).

O susto aconteceu pela junção de alguns fatores: a praça, que apesar de sediar a Câmara Municipal da cidade, não estava localizada em uma região central como esperávamos, era rodeada por residências, um estabelecimentos fechado e um trator fazendo manutenção na praça – soubemos mais tarde que algumas árvores caíram por conta de um temporal de pouco tempo – ou seja, estávamos certos de que não teríamos muito público nenhum; o outro ponto importante para nós era o tempo fechado e a grande possibilidade de cancelar o espetáculo antes ou durante o decorrer da peça – o fantasma da chuva andou nos assombrando em boa parte das apresentações.

Enquanto começamos a montagem de nosso espetáculo, tirando os instrumentos do carro e o cenário da carreta, logo vieram pessoas da prefeitura nos receber e dizer que alguns alunos de uma escola próxima viriam para o espetáculo – o que trouxe alegria e ânimo para nossa montagem. Conforme o horário da apresentação foi se aproximando, as nuvens carregadas foram se afastando e uma bela tarde de Sol começava a tingir nossas caras maquiadas.

A escola chegou minutos antes do início do espetáculo e logo um professor nos interpelou: “Para muitos deles será a primeira vez assistindo um teatro”. Um misto de orgulho e tristeza inundou meu ser naquele momento. Orgulho porque sabia, prepotências à parte, que aquelas crianças teriam uma ótima primeira experiência teatral, com uma peça de qualidade, e que não subestimaríamos a inteligência delas tampouco a capacidade de entendimento da narrativa; a tristeza também veio porque o professor só me confirmou a carência e a urgente necessidade de investimentos culturais em cidades de pequeno porte.

As crianças dominaram as cadeiras cedidas pela prefeitura e também os espaços das lonas que esticamos para proporcionar um pouco mais de conforto para elas. Até havia alguns adultos, em pé, atrás das cadeiras, e outros ainda mais afastados, provavelmente moradores das casas da vizinhança, bem mais próximos da rua do que de nós. Ainda que distantes, não gostamos de deixar ninguém de fora, nos esforçamos um pouco mais para que o espetáculo chegasse também para aqueles que não se sentiram a vontade para se aproximar, mas o foco mesmo eram aqueles pequenos e atentos olhinhos que estavam ali totalmente receptivos para nós. Comportaram-se muito bem durante o espetáculo, acompanharam a história, interagiram espontaneamente conosco nos momentos de jogo com a plateia, riram, surpreenderam-se, assustaram-se… uma grande camada de sentimentos que só um teatro bem apresentado é capaz de proporcionar e despertar. E que bom que estivemos ali, naquela fatídica sexta-feira para muitas daquelas crianças, que, certamente, lembrar-se-ão de nós para sempre.

Rafael

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Fotos: MaFê Moreira

Dias 20 e 21: Sobre barulhos, poeira e lustre – a oficina de Lorena

DSC00446A oficina de Lorena aconteceu na Casa da Cultura, situada em uma simpática rua de paralelepípedos que leva o nome de Viscondessa de Castro Lima, n° 10. O lugar, um belíssimo casarão construído no século XIX, muito bem preservado, abriga a Casa de Cultura de Lorena desde 1962. A título de curiosidade, já pernoitaram nesse ambiente Dom Pedro II, Princesa Isabel e Conde D’Eu (ooooh!). É o ponto de maior influência cultural da cidade, responsável por movimentar, intensificar e proliferar todo o tipo de manifestação cultural, desde aulas de teatro, violão erudito, até exposições e performances.

O primeiro dia da oficina foi uma quarta-feira calorosa e abafada. Chegamos à Casa da Cultura e fomos direcionados para uma sala no primeiro andar, um espaço bastante amplo, perfeito para a condução de nossa oficina. O condutor dessa vez foi o Ricardo, que soube melhor do que ninguém motivar as pessoas a ultrapassarem suas barreiras e botar o pessoal pra mexer e brincar. Encaminhávamo-nos para um pouco mais de trinta minutos de oficina quando um senhor bateu na porta e de uma forma nada educada fingiu que estava propondo uma troca de sala, mas na verdade não nos deu opção e não quis ouvir as nossas necessidades, pois estávamos atrapalhando a aula de violão ao lado. “Olha só aqui tá bom, não tá? Fica aqui mesmo que vai ser melhor.”, nos enxotando para outra sala, em outro canto, bem menor do que a primeira, cheia de cadeiras, com uma indiferença do tamanho de um bonde. Fizemos uma força tarefa e não levamos mais do que cinco minutos para liberar a sala e preencher o corredor do andar superior da Casa da Cultura com elas, para infelicidade do senhor que nos havia relocado.

Logo que voltamos o trabalho na nova sala, o Ricardo puxou uma conversa muito importante que sempre fez parte de nosso cotidiano: há um imenso pouco caso com a cultura popular. Estamos sempre incomodando alguém, estamos sempre fazendo barulho demais. Quantas e quantas vezes, enquanto ensaiávamos em praças ou lugares públicos de Campinas, quando ainda não tínhamos um lugar fixo para ensaiar, a vizinhança pediu para que nós diminuíssemos o barulho, mudássemos de lugar ou parássemos a qualquer custo de importunar a pacata tarde que eles tanto mereciam – estávamos, de certo, atrapalhando a reprise daquela famosa novela da década de 90 no vale a pena ver de novo e o tranquilo chá com bolachas, servido em xícaras portuguesas da era colonial. Nós sempre cedemos. Sempre entendemos o incômodo. Poucos foram aqueles que tentaram nos entender.

Voltamos aos trupés. Foi quando estávamos no meio do aprendizado do maguio, o mergulhão do Cavalo Marinho, novamente bateram à porta. Dessa vez era o moço da recepção: “Será que vocês podem trocar de sala? Lá embaixo o lustre está balançando e está caindo muita poeira em cima da mesa.” Mais uma vez interrompidos. Mais uma vez incomodando. Preferimos mudar a condução do trabalho, do que arrumar a sala que havíamos liberado e possivelmente liberar a nova sala e arrumá-la depois. Fomos para o improviso de versos e com muita criatividade fizemos piada da nossa situação.

No dia seguinte, uma sala no térreo estava a nossa espera, ainda um pouco menor do que a das cadeiras, mas agora não tinha erro. Retomamos o maguio, fizemos mais improviso de versos, trabalhamos com os bastões e as máscaras da Folia de Reis e o segundo dia da oficina foi tão tranquilo e divertido que deu até uma vontade de incomodar um pouquinho.

Rafael

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Fotos: André Sun

Dia 19: Um pequenino grande fã

Ao montar o cenário
Eis que surge distante
um menino meigo
de olhar penetrante.

Ao se aproximar
De mansinho e na espreita
cuidadosamente, dizia:
– eu já vi a Damião e Cia!

Tinha lá seus seis anos de altura,
Mas sua desenvoltura
era a forma de gente grande.
Era impressionante!

Ao ver o Damião
aquela recuada ele deu
com as mãos buscando as palavras
ele chegou em Deus.

e pensei:
Esse menino deve aterrorizar!
Que para engano meu
assistiu a peça toda sem piscar

Sentiu medo quando viu a morte entrar
com todos seus cabelos a se arrepiar
Se matou de rir quando viu o chifre cair
com todas as janelinhas a se inibir

Esse menino
franzino e brilhante
com seu peito bufante
sorria feliz.

Confesso, as vezes é bom demais ser atriz.

E o menino quietin
as palmas batia
olhando pra a mãe e pra tia
assim que chegamos no fim

e a conclusão foi simples:
havia de lembrar
desse menino meigo e cativante
no meu coração e adiante!

E além de tudo,
seus olhos brilhavam
como as estrelas do céu.
Obrigada, menino Cael!

por Bruna Recchia

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Fotos: MaFê Moreira

Dias 16 e 18: Crianças, crushs e coelhos

Em Guaratinguetá,
DSC09514 duas apresentações. Da primeira, no Parque Ecológico, tão lindo, quero narrar dois momentos. O primeiro é branco e peludo, pois se dá na forma de um coelho que dormiu na lama bem próxima ao palco. O palco, digo já, também bonito. Quase grego, quase lindo. De fundo, um lago, avisam por lá, profundo. Seu centro, uma arena elevada, seguida por arquibancadas, margeadas por árvores, cobertas pelo céu limpo. Tudo lindo. Havia porém, envolta do palco, muita lama, da chuva precedente, e da lama vem o primeiro momento, branco e peludo, e também o segundo, quando Jesus Cristo pregou uma peça no Diabo. No caso, Rodrigo Nasser naquela que vós fala. A um momento da peça, quando o Diabo corre atrás do menino Jesus, o ator em questão atraiu-me para uma poça de lDSC09598ama, e eu cai como um patinho (também haviam patos). Bom, quase cai, de cara no chão, depois de sapatear por segundos fatídicos e tornar a me equilibrar. Narrados pois os dois momentos, simples e simpáticos porque também foi assim a apresentação, sem mais delongas, ainda que me delongando um pouquinho, vou relembrar apenas que a Bruna Recchia se exasperou por conta de um ganso. O animal assassino que recebeu pão na boca da mão de um menino. E pra terminar, uma fofoca. Alguém saiu de lá com um crush. Ops, falei.

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A segunda apresentação foi em uma escola. Tinha salas abertas, não soubemos se por proposta ou falta de opção, mas que davam um ar mais alegre ao lugar que tinha uma infraestrutura melhor do que as escolas que conhecemos até então. Uma surpresa foi notar na eDSC09999ntrada um cartaz que proibia a entrada de pessoas com decotes, roupas cavadas ou acima do joelho. Pensamos: escola carola. Vamos segurar no palavão ou tacar o terror? Cada um fez sua escolha individual e foi bem divertida a apresentação. A Morte perdeu o controle dos mais novos, que, colocados no mezanino,acharam jeito de ficar bem próximos dela e não mais pararam de sacaneá-la. Quando o Ardilino passava, todos se levantavam e corriam, e era um deus nos acuda pra depois achar o seu lugar. Ao final, muitos autógrafos nos postais, vários abraços e um conselho da professora, que embora gostasse da peça, achava que devíamos falar num novo espetáculo sobre o que as crianças podem ou não podem fazer. Chocante, não?

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Fotos: MaFê Moreira
Lara Prado

Dia 17: Tá tranquilo, Tá favorável…

…ou O dia que descobri a existência da Tromba D’água

Domingo de folga!!! Dormir até tarde? … Claro que não!
Levantamos cedinho, tomamos um farto café da manhã do hotel com todos à mesa ( coisa rara até então) e partimos de Aparecida até Taubaté para comparecer ao convite do Jongo Crioulo.
Como já tínhamos visitado eles na terça-feira, nos receberam calorosamente e já convidando para jongar.
Entre pontos velhos e novos, conhecidos e reconhecidos, a nossa timidez foi sumindo e deixando espaço para a brincadeira. E lá estávamos nós, jongando, cantando e aprendendo mais sobre o jongo às dez horas da manhã no nosso desejado dia de folga.
O mais legal é que o jongo crioulo se mobilizou para fazer essa roda na casa das Figureiras, em comemoração ao dia da mulher. Um espaço cultural muito legal, com artistas plásticas que trabalham com argila. Dessa forma, demos uma força ( e de alguma, reconhecemos o valor) comprando algumas lembranças feita por essas artesãs.
Após o término do jongo, Marcelo e Elder, que conhecemos no jongo, propuseram-se a nos levar a uma cachoeira ainda em Taubaté. (Obrigada, gente!)
Demoramos aproximadamente 40 minutos para chegar até ela. O tempo demorado se transformou em belas paisagens bucólicas acompanhadas do devaneio de pensamentos (ao menos para mim).

Entre nuvens carregadas que desenhavam no céu na “contra luz” do sol e as orquídeas brancas que floreavam as margens do rio, chegamos animados e de olhos brilhando a trilha da felicidade!
Em 20 minutos, estávamos admirados pela beleza da queda d’água.
E foi assim…

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Presto depois de levar um belo tombo.

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Rafael sentindo a natureza.

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Fotos: André Sun

Todos descansados, relaxados e profundamente calmos, pegamos a trilha de volta.
Ao chegar até os carros, alguém comentou sobre o fenômeno da tromba d’água (Também conhecido como cabeça d’água), característico de cachoeiras e rios.
Como uma boa curiosa, fui pesquisar sobre. Trata-se de uma ação da natureza em que as águas da chuva descem o rio de uma maneira muito rápida e destrutiva.

E, acabei gastando horas com vídeos assustadores! Tentando descobrir como se prevenir e como identificar o tal do fenômeno assassino. Isso me rendeu grandes pesadelos malucos com trombas d’água, além de muitas risadas com meu desespero em alertar amigos e familiares.
Portanto, caro leitor, se você gosta de ambientes de natureza com água, fique atento com o surgimento de galhos e folhas e água barrosa.
E, nesse caso, corra o mais rápido que puder em direção as margens altas!!!

Fica meu conselho e meu salve!

Bruna Recchia

Dias 14 e 15: Oficina em Guará – Intercâmbio de Estações

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A nossa oficina em Guaratinguetá foi nos dias 03 e 04 de março. Agora, exatamente um mês depois, estou escrevendo esse post. Não porque eu precisei de tempo para digerir tudo o que se passou, mas porque esqueci, e procrastinei ao máximo minha tarefa. Sem mais delongas, aí vai.

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A oficina foi numa antiga estação de trem, agora utilizada como um prédio da secretaria de cultura da cidade. Diferente da nossa Estação Cultura de Campinas, a de Guará é bem pequenina, mas linda também. Fomos recebidos com café e biscoitinhos (o que configura uma recepção extra-maravilhosa para atores pé-rapados como nós); e depois levados à sala onde estava programado para ser a atividade. Pra variar, era uma sala cheia de cadeiras, mesas, telão para projetor e etc. Estranhamos, e logo veio a pergunta: “Ah… é uma oficina prática?”. Toca levar tudo pra outra sala (e voltar tudo depois, claro). O chão da sala era de tacos de madeira, e alguns tacos estavam saindo, o que fez lembrar nossa querida Estação Cultura de Campinas. Em suma, nos sentimos em casa. A vibe da sala e do prédio como um todo eram semelhantes, e fiquei com vontade de ouvir e ver passando o mesmo trem de carga que ouvimos e vemos quando ensaiamos na nossa Estação. Tenho a impressão que se você andar pelos trilhos dessa estrada férrea e ir parando nas estações que encontrar, vai acabar conhecendo muitas “estações cultura” do estado. Fica a ideia para o próximo projeto.

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Na oficina transcorreu tudo bem. Quem ministrou foi o Rafael, com suporte da Bruna, Lara e eu. Tivemos inscritos que faziam parte do grupo de teatro da cidade, inclusive os professores/coordenadores. Além de trabalhadores da secretaria, contadores de historia e o incrível Duda, massagista que dias depois nos lascou uma bela massagem ayurvédica. Foi bacana porque alguns dos alunos não tinham conhecimento do grupo de teatro da cidade, e a nossa oficina serviu de ponte para que passassem a integrá-lo também.

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Duda e suas mãos mágicas.

Fotos: André Sun

 

Dia 14: Cachoeira Paulista

Apresentação legal. Ameaçou chuva, fomos para debaixo de um palco coberto, no meio da praça. Pouco público, mas bem participativo. Alguns moradores de rua. Um sentado bem ao lado da roda, que tocava uma gaita sempre que tocávamos alguma música. Outro em pé, de fora do palco, comentando sempre. O da gaita, que era um tipo quieto e estava prestando bastante atenção, ficou irritado com os comentários do outro e acabou indo embora no meio. O outro ficou até o final. O nome dele é Pedro. Fomos conversando enquanto desmontávamos o cenário. Fiquei surpreso com o conhecimento que ele tinha sobre filmes. Comentou que o Ikier parecia o Logan (Wolverine). Comentou que os X-Men antigos eram melhores, os de agora ele não gostava. Perguntei como é que ele assistia esses filmes, uma vez que mora na rua. Ele respondeu de maneira inconclusiva. Não entendi direito como. Mas deixou claro que não era só por morar na rua que ele ia ficar sem ver filmes. Ofereci um açaí, ele negou. Pelo que tenho visto, problema bem recorrente entre os moradores de rua: não podem com açúcar. Talvez diabetes, pelo consumo de álcool. Falou que não fumava nem cheirava, curtia mesmo era beber. Me disse que estava naquela praça tinha seis meses. Parou de rodar pelo problema de saúde, que afetava as pernas, já inchadas. Foi esse mesmo problema que me fez apertar sua mão de maneira muito delicada – estava também inchada e necessitada de cuidados. Enfim, com um aperto delicado, nos despedimos. E ele disse “É. Vocês vão embora e eu fico aqui… é sempre assim.”

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Fotos: MaFê Moreira