Dias 4 e 5: Entre ruas e sinos

Salve, Taubaté!

Nossa saga começou com a dúvida do tempo fechado. Entre olhares para o céu e pedidos para São Pedro, o tempo até que cedeu um tiquin e sorriu de canto. E junto dele, a porteira das badaladas!

A linda e grande igreja da praça Santa Teresinha nos batizou com o toque das 18 horas, na cena do “O Gran Pot-Pourri dos Desesperados”. As seis badaladas (que pareceram quarenta e duas, na minha percepção de tempo) tocaram junto à música, enquanto Damião segurava o público com sua arte de muita brincadeira… A apresentação terminou sem mais sirenes ou surpresas e com muita receptividade do público. E a nossa noite, com deliciosos açaís, lanches e churros da praçinha!

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Fotos: MaFê Moreira

No dia seguinte, apresentamos na escola EMEF  Professor Ernesto de Oliveira Filho, também em Taubaté. Apesar do tempo ainda estar chuvoso, a recepção e o calor de cada criança que se mantinha atenta a cada movimento nosso era de tamanha fofura, curiosidade e paciência.

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Foto: André Guisard

Dentre tantos olhares ansiosos, começamos a apresentação!

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Foto: André Guisard

Quando chegamos novamente na cena “O Gran Pot-Pourri dos Desesperados” nossa sina aconteceu! O sinal ensurdecedor (muito próximo de uma alarme de incêndio) das 17h30 tocou… Dessa vez, um grande susto! Aquele pátio cheio de crianças de olhares atentos, em meio a correrias e gritos de tchau, esvaziou… Junto com ele, nossos corações.

Momento de suspensão! Música caindo no estilo fade out… atores chocados e silenciados. Até que  surgem alguns pedidos tímidos das poucas crianças que ficaram para ver o final. Comovidos, continuamos e chegamos ao final da história da vida de Damião.

E como sempre, o teatro competindo com a vida… nesse caso, com o cansaço e o desejo de voltar para casa depois de um dia de aula.

Que os sinos não deixem de cantar para essas crianças e para essa cidade bonita.

Bruna Recchia.

Dias 2 e 3: Nossa primeira oficina – Escola de Congo (Em versinhos)


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Eis aqui as breves linhas

Que vieram explanar

Como foi que sucedeu

Nossa experiência de ensinar

 

Como tudo transcorreu

Eu vou contar pra você

O local era bonito:

Escola de Congo São Benedito do Erê (não deu na métrica)

 

Essa por sua vez está

Na cidade Tremembé

Onde tem uma praça linda

Depois eu conto, se quiser.

 

Ao chegar já encontramos

Fátima e Quintino

O olhar era de mestre

Mas o riso, de menino

 

Nos deram uma abil

Fruta do vale encantado

Docinha e maravilhosa

Tipo leite condensado

 

Depois de lambuzados

Começamos o dever

E conhecemos uma figura

Que é preciso ver pra crer

 

Com 67 de idade

Uma feição que não se abala

Distribui amor a todos

O seu nome é Gonçala

 

Fala besteira como ninguém

Seu humor é tri-porreta

Se apresentou para nós:

“Gonçala, pior que o capeta”

 

Algo muito mais além

Que apenas contar piada

O que Gonçala faz é arte

Autêntica palhaçada

 

Mas também sabe falar sério

E instaurar solenidade

Ao final, dançou pra nós

Como uma cigana de verdade

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Havia também crianças

Em nossa oficina

E o teatro competia

Com o prazer de uma piscina (quem será que ganhou?)

 

Jogos de teatro

Integravam toda gente

Para, ao fim, dançar com máscaras

E arriscar um repente

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A oficina assim se deu

Até o fim dela chegar

Outras coisas se passaram

Que não cabe agora contar

 

Afinal ainda é pouco

Meu talento pra versejar

E com a linha que me sobra

Um viva eu quero dar:

 

Viva a 1ª Escola de Congo São Benedito do Erê! Viva Fátima! Viva Quintino!

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Por Rodrigo Nasser

Fotos: André Sun

Dia 2: Batuqueiro, olha a onda!

     DSC07047 (1280x720)Dentro do projeto “Presepadas entre serras e vales” nós da Damião & Cia de Teatro prevemos uma série de encontros com grupos do vale do Paraíba que trabalham com a cultura popular brasileira. Entramos em contato com grupos de jongo, congadas, folia de reis e maracatus aqui do vale. Sexta-feira dia 19\02 dia de Oxalá fomos até o Parque da Cidade em São José dos Campos, para fazer uma visita (e tocar que ninguém é de ferro né?) com o pessoal do Maracatu no Parque, o Baque Aguaí. Eles oferecem oficinas gratuitas toda sexta feira as 19 horas nesse local. O grupo que estuda o baque virado de Pernambuco toca diversas nações como o Estrela Brilhante de Igarassú, Leão Coroado, Estrela Brilhante e Porto Rico (Salve a nação Porto Rico!). Fomos recebidos de braços abertos e logo que tiramos nossas alfaias, agbês e gonguê, Alex Malabar que estava no apito conduziu o grupo para tocar as loas da nação Porto Rico, nação que tocamos em nosso grupo de teatro e da qual aprendi tudo que sei de maracatu. O baque Aguaí se prepara para realizar oficinas com o batuquero da nação Rumenig Dantas. Fizemos um baque lindo abençoados pela chuva que caia e abrigados em um lugar maravilhoso, os galpões da Fundação Cultural Cassiano Ricardo que fica nesse parque. Após passarmos por diversas loas do baque das ondas, tocamos outras nações e homenageamos a vó Didi, ancestral de uma batuqueira do grupo que faleceu há alguns dias. Momentos de alegria e saudade que o maracatu propicia. Tocar tambor pelo mundo afora é um dos movimentos que conectam nosso grupo, pois sabemos que juntos o tambor tem a batida de nossos corações!

Asè Baque Aguaí!

Ricardo Ikier

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Fotos: André Sun

Dia 1: A estreia no Vale

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Foto: Taiana Avritchir

A nossa viagem estreou 6 horas depois do planejado, como todos já suspeitavam em segredo.  Partimos felizes à meia-noite. Na mala, um kit-emergências: esparadrapos, alfinetes e cola quente. E é claro, nosso mais novo projeto-orgulho-todo-bordado-em-cetim: o estandarte da companhia.

De começo, a carreta bufônica ameçou vôo na estrada – mais uma horinha de atraso. Mas enfim chegamos, e um pouco menos felizes, capotamos cada um no seu quadrado.

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Foto: André Sun

Eis que na tarde de quinta a companhia desembarca na bonita praça de Caçapava. No caminho, ruas de paralelepípedos, e os atores se sentindo na cidade onde seus vizinhos sabem seu nome e comem juntos bolo de fubá. A praça confirma ao menos parte dessa ideia. Assim que chegamos, uma senhora pergunta: Quem vai ser o Damião? Ouvira na rádio. E muitas outras pessoas aproximam, e puxam conversa. Ganhamos sorvete. Os policiais desejam merda. E estreamos, entre a fonte e o coreto, em Caçapava, a primeira das 11 cidades por onde vai viajar a companhia.

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Foto: André Sun
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Foto: André Sun

 

 

 

 

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Foto: MaFê Moreira
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Foto: André Sun

A apresentação corre bem, e o grupo finaliza feliz seu primeiro trabalho. Como de costume, conversamos ainda com o público ao fim do espetáculo, tirando fotos e vendo aos poucos a praça ficar vazia. Só então alguém olha pro céu e nos desperta: vai cair um temporal. Começa a correria. Desparafusa, desamarra, dobra, guarda. Mas a chuva começa, e corremos ainda mais. Em dado momento, eu só vejo o Cro (Rodrigo Nasser) correndo de sunga pela praça com duas alfaias na mão. Chegamos no hotel, molhados e cansados, e este nem é o momento mais louco do dia. Ainda nem sabemos, mas iríamos finalizar a noite invadindo um coquetel de recepção dos mamutes. Enfim.

Ainda temos muito trabalho pela frente, e, com certeza, muitas loucuras pra enfrentar. Por último vou deixar aquele apelo, pois acabamos de pôr no ar uma campanha de financiamento coletivo e vamos precisar muito da divulgação dos amigos. Amigos, chegou a vossa hora! Esse é o link da campanha: https://benfeitoria.com/umacarretaparadamiao

Acompanhem nossas presepadas!

Beijos! 🙂

Lara Continue lendo “Dia 1: A estreia no Vale”

Dia 0: Vale do Paraíba, aí vamos nós!

E chega, enfim, o grande dia para nós da Damião e Cia. Acorde seu cachorro, seu vizinho, sua tia, bote um sorriso no rosto e diga com a boca cheia – bom dia! É chegada nossa hora de juntar nossas tralhas, arrumar mala e cuia, botar tudo na carreta, soltar o freio na descida, espantar o mal olhado e partir para o Vale Encantado: o do Paraíba.

Nosso trajeto pelo Vale
Nosso trajeto pelo Vale

Um novo tempo que se inicia com novas descobertas, novos aprendizados, novas trocas e muita alegria. Muita vontade de ir ao encontro do desconhecido, de peito aberto, olhar curioso e ouvidos atentos. Agora já não é mais preciso pressa, correr contra o tempo. É só pedir ao vento, com jeitinho, que assopre em nosso caminho tudo que seja de nosso merecimento.

Foram meses de dedicação e labuta, desde o ano passado, para que essa viagem beirasse a perfeição no que diz respeito ao seu planejamento e execução. Fomos, por vezes, sem noção, quase ficamos birutas trabalhando até tarde, sacrificando vontades em prol de um bem maior – bem maior do que nossas vontades.

Agora nos resta amarrar o cenário, apertar os cintos, reparar se não deixamos nada de importante para trás, cuidar para não cair no conto do vigário e que no pôquer nossa mão seja sempre duplo Ás.

Vida longa à Damião e Cia!

Por Ruffles.

Inscrições para as oficinas no Vale do Paraíba

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Máscaras de Palhaços da Folia-de-Reis (Confecção de Fernando Linares)

Vamos ministrar a oficina “Os elementos da cultura popular no trabalho do ator na rua” nas cidades de Tremembé, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena e Cruzeiro. A ação faz parte do projeto “Presepadas entre Serras e Vales” contemplado pelo ProAC 2015 (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo).

           A oficina é direcionada para interessados de todas as idades e de todas as áreas que encontram identificação nas manifestações da cultura popular brasileira (Cavalo Marinho, Folia de Reis, Maracatu e Coco) e que tenham interesse pelo trabalho do ator em um espaço público, fora de um edifício teatral: a rua.
A oficina é dividida em dois dias, com duração de quatro horas por dia. Através dela, o grupo busca sintetizar suas experiências de busca de uma linguagem teatral popular, calcada nas manifestações da cultura popular brasileira.
        Os interessados deverão preencher o formulário digital, que pode ser acessado CLICANDO AQUI,  informando alguns dados básicos e a cidade onde pretende fazer a oficina.
SERVIÇO

O QUE:
Oficina “Os elementos da cultura popular no trabalho do ator na rua”

QUANDO/ONDE:
19.02.2016, sexta, das 18h30 às 22h30
20.02.2016, sábado, das 14h00 às 18h00
Escola de Congo de São Benedito do Êre – R. Dona Zília, 47, Tremembé

26.02.2016, sexta, das 14h00 às 18h00
27.02.2016, sábado, das 14h00 às 18h00
Studio Conatus de Dança – Av. Abel Correa Guimarães, 351 – Vila Rica, Pindamonhangaba

03.03.2016, quinta, das 18h30 às 22h30
04.03.2016, sexta, das 18h30 às 22h30
Centro de Capacitação – Praça Condessa de Frontim, 76, Guaratinguetá

09.03.2016, quarta, das 18h30 às 22h30
10.03.2016, quinta, das 18h30 às 22h30
Casa da Cultura – Rua Viscondessa de Castro Lima, 10, Lorena

14.03.2016, segunda, das 18h30 às 22h30
15.03.2016, terça, das 18h30 às 22h30
Museu Major Novaes – Rua Dona Tita, 48, Cruzeiro